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Leishmaniose: a doença que atinge pessoas e animais de estimação

9 de julho de 2019

Impedir as picadas do mosquito-palha é crucial para interromper a disseminação da leishmaniose, uma doença infecciosa que ataca os animais de estimação e os humanos.

Em todo o mundo, o mosquito-palha ganhou nomes diversos e estranhos. Esses insetos minúsculos com cerca de 25% do tamanho de um mosquito normal costumam se alimentar ao entardecer.

Mas ainda que suas picadas muitas vezes nem sejam percebidas, o impacto que elas causam pode ser fatal, tanto para pessoas quanto para animais.

As fêmeas do mosquito-palha, inseto também conhecido como flebotomíneo, são os principais transmissores da leishmaniose, uma doença parasitária presente em mais de 90 países em todo o mundo e que pode levar à morte.

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Patogenia

Quando entram no corpo de um hospedeiro, os parasitas Leishmania sp. são reconhecidos e atacados pelas células do sistema imunológico, mas conseguem sobreviver e se multiplicar dentro delas, desenvolvendo mecanismos para evitar ou controlar a ação do sistema imunológico. Embora grande parte de pessoas e animais possam ser assintomáticos para a doença, os indivíduos com sistema imunológico mais frágil estão mais vulneráveis ao desenvolvimento dos inúmeros sintomas, como lesões na pele e uma possível e fatal falha de órgãos.

Para os humanos, a leishmaniose pode ter três formas: visceral, cutânea e mucocutânea. A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é a forma mais grave da doença, com até 90 mil novos casos anuais, que causam até 30 mil mortes, predominantemente nas áreas mais pobres do planeta.

O mesmo ocorre com os animais, em quem a doença, dependendo da resposta do sistema imunológico, pode causar lesões na pele, inchaço nos nódulos linfáticos, perda de peso e letargia. E, se não for tratada, pode causar a morte do animal.

“Para todas as doenças, sabemos que a prevenção é melhor que o tratamento. Mas, para a leishmaniose, isso é ainda mais importante.”

– Gaetano Oliva, professor de Medicina Veterinária da Universidade de Nápoles

Uma doença que afeta principalmente os cães

Um dos principais alvos dos parasitas Leishmania sp. são os cães, bem como outros canídeos selvagens, como raposas e lobos. A leishmaniose canina ocorre em quase todos os continentes. No entanto, ela é especificamente um problema na América Latina e no sul da Europa, onde estima-se que 2,5 milhões de cães estejam infectados com o parasita.

E a doença continua se espalhando. A combinação de alterações climáticas e a maior interação entre animais infectados e pessoas provocou um aumento nos casos de leishmaniose em zonas anteriormente livres da doença. Com o aumento da temperatura média em todo o mundo, os mosquitos-palha estão sobrevivendo em diversas regiões, e podem se alimentar de hospedeiros infectados.

No Brasil, por exemplo, até a década de 1980, a doença era diagnosticada em áreas restritas e isoladas. Agora, está espalhada por todo o território nacional.

Então, o que podemos fazer para proteger os nossos animais de estimação e reduzir o risco de infecção em cães e pessoas?

Veterinário e dono de animal observam um cão sobre a mesa

A importância da prevenção

“Para todas as doenças, sabemos que a prevenção é melhor que o tratamento. Mas, para a leishmaniose, isso é ainda mais importante”, afirma Gaetano Oliva, professor de Medicina Veterinária da Universidade de Nápoles. “A melhor orientação que podemos dar aos donos de animais de estimação é que cada cachorro deve ser tratado com produtos que tenham um efeito repelente, para evitar que sejam picados. E não apenas os cães saudáveis, como também os infectados, já que eles são a fonte de transmissão do parasita para o mosquito-palha.”

Os produtos repelentes geralmente são de uso tópico nos animais, como pipetas ou coleiras. Eles contêm ingredientes ativos que se espalham pela superfície do corpo do animal, por meio da camada lipídica da pele e dos pelos. Dessa forma, os produtos agem sobre os mosquitos-palha assim que entram em contato com o animal, ou seja, evitam a picada. Algumas coleiras oferecem o benefício adicional de garantir uma proteção mais duradoura.

E essas medidas preventivas não são importantes apenas para evitar picadas de mosquitos-palha infectados, mas também as picadas de carrapatos e pulgas, que não oferecem apenas um incômodo ao pet, como também podem transmitir outras doenças perigosas, como babesiose e erliquiose canina.

Portanto, é fundamental que os donos de animais estejam cientes da necessidade de proteger continuamente seus pets de forma preventiva, por exemplo, com o uso de repelentes. A boa notícia é que isso está de fato acontecendo.

 “O grau de conscientização entre os donos de animais em relação à proteção e à prevenção contra parasitas externos, como carrapatos, pulgas e mosquitos, aumentou nos últimos anos, e os tratamentos disponíveis também estão mais diversificados”, afirma o Dr. Claudio Amore, diretor médico da Clínica Veterinária Amore, na província de Salerno, Itália.

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