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A mudança de paradigma que pode curar o câncer

7 de outubro de 2018

Os oncologistas estão aprofundando o conhecimento sobre as causas genômicas do câncer, impulsionando o desenvolvimento de novos e promissores tratamentos.

Os tratamentos para o câncer tradicionalmente focavam nas diferentes áreas do corpo onde ele surgia, como pulmão, estômago ou mama. Recentemente, no entanto, os oncologistas começaram a analisar a doença a partir de um ponto de vista molecular.

Um estudo com seis anos de duração, conduzido pela Pan-Cancer Initiative, sugere que os tipos de câncer originados do mesmo tecido podem ter perfis genômicos diferentes, enquanto os tipos que têm origem em diferentes órgãos podem, na verdade, compartilhar pontos em comum em nível molecular. Os resultados mostraram que, com base na composição celular e genômica, e independentemente da região do corpo onde se originaram, os tipos de câncer podem ser reclassificados em 28 tipos moleculares diferentes, também chamados de "agrupamentos" (Cluster, da sigla em inglês).1

O estudo descobriu que quase dois terços desses agrupamentos foram encontrados em mais de uma parte do corpo. Inclusive, um agrupamento específico foi encontrado em 25 tipos diferentes de tumor em diversas partes do corpo.

Historicamente, esses tipos de câncer teriam sido tratados de maneiras diferentes. Entretanto, essa nova visão molecular do câncer, no lugar da análise baseada no local onde a doença se desenvolveu pela primeira vez, pode ter um impacto profundo na forma como os tratamentos são desenvolvidos.

"Chegou a hora de rever nossos conceitos sobre câncer", afirma Christopher Benz, do Buck Institute for Research on Aging, da Califórnia. "Chegou a hora de derrubar as barreiras na oncologia clínica que tornam difícil para os pacientes ter benefícios com essa mudança de paradigma na classificação do câncer."

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Passageiros e motoristas

O câncer é uma doença na qual as células continuam se dividindo e crescendo sem controle, normalmente por meio de alterações genômicas em genes específicos. A maioria das células normais sofre apoptose (morte celular programada) como uma etapa controlada do crescimento de um organismo. Entretanto, as alterações genômicas nas células cancerígenas fazem com que essas células que sofreram mutação sobrevivam e se multipliquem.

Enquanto a genética trabalha primordialmente com a forma como uma característica é transmitida de um pai para o filho, a genômica procura por possíveis defeitos ou alterações que possam ter ocorrido, ao analisar todos os genes (ou genoma) de uma célula. Os avanços no sequenciamento de DNA e RNA, na última década, possibilitaram estudar sistematicamente essas alterações genômicas, analisar a célula e tentar identificar quais processos e caminhos causaram a mutação.

"Este é o poder da medicina de precisão. Sobrepor as diversas tecnologias e ferramentas para alcançar uma assinatura complexa do câncer e tratá-lo de forma específica. Esse é o futuro."

– Dra. Patricia Carrigan, head de Regulatory Affairs Companion Diagnostics Oncology na Bayer

Nem todas as alterações genômicas, no entanto, causam os mesmos efeitos. Algumas estimulam o crescimento do tumor, enquanto outras são meros resultados da instabilidade genética do câncer.

Com o aperfeiçoamento do sequenciamento, os oncologistas estão buscando identificar com mais eficácia esses elementos estimulantes e encontrar os pontos em comum. Dessa forma, conseguirão desenvolver medicamentos que possam atuar em diferentes tipos de tumor com mais eficácia e de forma mais efetiva.

O poder da medicina de precisão

Nos últimos dez anos, o custo, a velocidade e a precisão do sequenciamento de DNA e RNA mudaram drasticamente. Os avanços tecnológicos no sequenciamento de nova geração (NGS, next-generation sequencing), como o sequenciamento genético atual é chamado, tornaram esse processo mais econômico e sensível. Com isso, os oncologistas conseguem obter uma imagem mais detalhada da composição molecular do câncer de pacientes individuais e tratá-lo de modo apropriado.

"Com ferramentas como o sequenciamento de nova geração, podemos procurar por 'assinaturas' de biomarcadores que diferenciarão os pacientes que respondem a um medicamento daqueles que não respondem", comenta a Dra. Patricia Carrigan, head de Regulatory Affairs Companion Diagnostics Oncology na Bayer. "Este é o poder da medicina de precisão. Sobrepor as diversas tecnologias e ferramentas para alcançar uma assinatura complexa do câncer e tratá-lo de forma específica. Esse é o futuro."

Essa combinação do conhecimento do câncer individual de um paciente em nível molecular e dos possíveis fatores oncogênicos que possam estar causando a doença deu origem ao desenvolvimento de inúmeros tratamentos revolucionários contra o câncer.

Combatendo tumores com novas ferramentas

Pelos últimos 30 anos, as ferramentas dos oncologistas foram basicamente radioterapia, quimioterapia e cirurgia para remoção de tumores. Agora estamos usando terapias muito mais direcionadas.

Cada tratamento de precisão procura combater o tumor de uma forma diferente:

  • Os tratamentos com células T são um tipo de imunoterapia3 que envolve as células imunológicas do paciente, os glóbulos brancos chamados de células T, e as reprograma para atacar o tumor.
  • Os biológicos4 são uma classe de medicamentos baseados em grandes moléculas proteicas que se ligam a proteínas específicas da superfície celular, como receptores que estão associados ao processo da doença. 
  • Pequenas moléculas alvo são ingredientes ativos e representam a maioria dos medicamentos usados hoje em dia. A maior parte delas trabalha interferindo em certas proteínas em células que estão associadas ao processo da doença. Os cientistas desenvolvem agora compostos altamente seletivos que têm o potencial de tratar o câncer ao inibir diretamente a alteração molecular que promove o desenvolvimento do tumor.

Ainda que muitos desses tratamentos estejam em um estágio de desenvolvimento pré-clínico e clínico, os primeiros resultados sugerem que podem mudar a forma como lutaremos contra o câncer no futuro. Um exemplo disso é a pesquisa com pequenas moléculas sendo realizada pela Bayer e pela Loxo Oncology. As empresas estão desenvolvendo dois novos agentes que, quando aprovados, poderão ajudar os médicos a oferecer um tratamento específico para pacientes que tiverem determinadas alterações genômicas em suas células cancerígenas.

"A mudança está começando a tomar forma dentro da oncologia, saindo de uma abordagem focada no tumor para enfoque no genoma, ", afirma o Dr. Marc Fellous, global medical lead na Bayer. "O desenvolvimento de novos medicamentos poderá permitir a inclusão de tratamentos que requerem a identificação de alterações genômicas nas correntes predominantes."

Para que isso aconteça, e para que a medicina de precisão se torne a opção padrão, o sequenciamento genômico precisa se tornar parte integrante do diagnóstico dos pacientes. Quanto mais conhecermos o câncer em nível molecular, mais próximos estaremos de uma cura.

L.BR.COM.10.2018.10773

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