Pular para o conteúdo principal

Animais superprotetores: a evolução do elo homem-animal

17 de outubro de 2018

Donos de animais de estimação sabem que os bichinhos trazem saúde e felicidade. Mas para quem não tem pets, será que os médicos poderão indicar essa interação?

Humanos e animais vivem e trabalham juntos há mais de 15 mil anos. Dos lobos domados aos cães cuidadosamente criados e treinados dos dias atuais, esses animais nos oferecem ajuda, proteção e conforto desde o princípio das sociedades organizadas.

Animais de assistência são treinados para executar tarefas para algum indivíduo que possuiu alguma deficiência ou precisa de algum cuidado especial. Ainda que os cães talvez sejam os mais conhecidos e há mais tempo utilizados nessa função (a primeira referência literária a um cão ajudando uma pessoa cega data de 79 DC), hoje em dia a ideia de um animal de estimação como o "melhor amigo do homem" já se estende a várias espécies. Os papéis exercidos por eles também estão mudando, já que oferecem auxílio prático e terapêutico às pessoas.

À medida que surgem novas provas dos benefícios emocionais e sociais proporcionados pelas relações entre humanos e animais, cada vez mais compreendemos os benefícios que os animais podem oferecer em termos de suporte e tratamento para inúmeras doenças.

“O benefício terapêutico dos animais de companhia está atraindo um interesse crescente entre profissionais de saúde e das ciências sociais”, diz o Dr. Markus Edingloh, responsável pela área de Assuntos Científicos Veterinários da Saúde Animal da Bayer. “Existem diversos exemplos do potencial transformador da relação entre humanos e animais.”

Pessoas que moram em domicílios com cães têm uma probabilidade 15% menor de morrer em consequência de uma doença cardíaca

Muito além dos cães-guia

Cães-guia que ajudam pessoas cegas são o exemplo mais comum de um animal de assistência. A primeira escola de treinamento foi fundada em 1929 em Nashville, Tennessee (EUA). Atualmente, cães de serviço são treinados para desempenhar uma série de tarefas que se adequam às necessidades de uma pessoa. Isso significa fazer muito mais do que ajudar pessoas com deficiência visual ou auditiva. Muitos cães alertam seus donos diabéticos ao perceber uma queda no nível de açúcar no sangue, enquanto outros preveem e reagem em caso de possíveis ataques epiléticos.

Não são apenas as pessoas com deficiências ou doenças que podem se beneficiar da presença de animais. Um volume cada vez maior de pesquisas comprova o impacto positivo dos bichos de estimação na saúde cardiovascular de seus donos, incluindo um efeito na redução da pressão sanguínea e do estresse. Um estudo observou que as pessoas que moram em domicílios com cães, têm uma probabilidade 15% menor de morrer em consequência de uma doença cardíaca.

As vantagens de compartilhar momentos com animais está levando à introdução de animais terapêuticos, em sua maioria cães, em hospitais, com o objetivo de melhorar os processos de recuperação, em especial de crianças com doenças graves.

Apoio emocional

Ao ser dispensado do exército em 2005, depois de servir em um batalhão de artilharia pesada no sul de Bagdá, Robert Soliz teve dificuldades para se readaptar à vida na Califórnia.

Sentindo ansiedade e incapacidade de demonstrar afeição por sua família, Soliz é um dos 300 mil veteranos das guerras do Afeganistão e do Iraque diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático (TSPT) apenas nos EUA.

Ele também é um dos inúmeros e cada vez mais frequentes pacientes de TSPT cuja vida melhorou graças aos cães terapêuticos. Programas como o K9s For Warriors e o Paws for Purple Hearts, estão ajudando soldados a relaxar e a melhorar a comunicação e adptação à rotina.

Animais com fins terapêuticos e de apoio emocional não são treinados para realizar tarefas específicas como os animais de serviço, e sim para agir como parte importante do processo de tratamento.

O efeito tranquilizador da interação com os animais indica que o uso de bichos de estimação de todos os tipos no tratamento de problemas emocionais e de saúde mental está se tornando cada vez mais comum. Os primeiros tipos de animais usados nesses tratamentos foram os cães, sempre confiáveis, mas hoje podem variar de pássaros a golfinhos.

Existem registros de animais desempenhando um papel no tratamento de problemas de saúde mental desde o século 18. Sigmund Freud foi um dos primeiros a explorar terapias com a ajuda de animais, depois de perceber que a presença de Jofi, seu cão Chow Chow, ajudava os pacientes, principalmente as crianças, a se abrirem.

No entanto, foi Boris Levinson, conhecido como o pai da terapia assistida por animais, que começou a divulgar com mais consistência o uso de animais terapêuticos a outros profissionais de saúde mental nas décadas de 1960 e 1970.

Além desses animais de serviço dedicados, evidências sugerem que passar um tempo com animais em geral pode ser benéfico a qualquer pessoa ao longo da vida. 

"Existem diversos exemplos do potencial transformador da relação entre humanos e animais.”

– Dr. Markus Edingloh, responsável pela área de Assuntos Científicos Veterinários da Saúde Animal da Bayer

Amigos peludos

Pergunte a qualquer dono de um bicho de estimação e provavelmente ele lhe dirá que os animais são uma parte importante de suas vidas sociais, e que a companhia é outra forma pela qual melhoram as vidas de seus donos.

Essa constatação é ainda mais marcante entre idosos. No Reino Unido, uma pesquisa recente descobriu que 73% das pessoas acima de 50 anos são solitárias. Com o aumento do envelhecimento populacional em diversas partes do mundo, há uma necessidade cada vez maior de abordar essa questão, que está vinculada a problemas de saúde como depressão e doenças coronárias.

Descobriu-se que os bichos de estimação causam efeitos mentais e físicos positivos em idosos. A companhia dos animais também afeta positivamente pessoas com demência, principalmente em relação aos sintomas comportamentais e psicológicos da doença. Na questão física, os estudos vêm constatando uma menor diminuição na capacidade de realizar tarefas diárias.

Por outro lado, os animais também podem desempenhar um papel importante nos primeiros anos de vida. A infância e a adolescência são períodos importantes de desenvolvimento, que têm impacto sobre o bem-estar e a saúde da pessoa durante quase toda a vida. Ter bichos de estimação nessas idades pode trazer benefícios ao desenvolvimento emocional, cognitivo, comportamental, educacional e social.

Em relação ao papel emocional dos animais na vida dos humanos, em termos estritamente científicos, ainda não existem pesquisas clínicas que comprovem as primeiras descobertas sobre os benefícios dessa relação na nossa saúde. Mas estudos mostram que a atitude positiva e a felicidade (em uma definição mais ampla) podem ter efeitos positivos sobre a saúde física. Embora os proprietários de bichos de estimação tenham opiniões diferentes sobre qual é o melhor animal para se ter em casa (já que a antiga discussão sobre a preferência por cachorros ou gatos persiste), eles certamente concordam que seus animais os fazem felizes.

O relacionamento entre humanos e animais mudou desde que começamos a conviver e trabalhar juntos. Para milhões de pessoas em todo o mundo, os bichos de estimação, sejam grandes ou pequenos, peludos ou pelados, são companheiros próximos e fontes de conforto e motivação para sair de casa e fazer exercícios. Enquanto o número de pesquisas aumenta, os benefícios físicos e emocionais dessas relações parecem ser mais do que uma questão de opinião.  

Recomendados para você

De olho no futuro: a saúde de uma população em envelhecimento

 

Participe da conversa! #PodemosViverMelhor?
Vamos falar sobre os desafios de hoje e as soluções de amanhã

 

Voltar ao topo