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Os testes em animais podem estar chegando ao fim?

7 de outubro de 2018

Os testes em animais possibilitaram importantes inovações médicas no último século. Mas será que estamos entrando em uma nova era em que eles não serão mais necessários?

Os testes em animais são processos essenciais, caros e altamente regulamentados que precisam ser realizados em nome da evolução das ciências médicas. O corpo humano é uma estrutura complexa e imprevisível, e embora os cientistas tenham uma boa ideia sobre os possíveis danos que uma nova substância pode nos causar a partir de testes pré-clínicos realizados durante o desenvolvimento de um produto, eles só saberão ao certo o que acontecerá quando essa substância entrar de fato em um corpo.

É claro que, além de determinar se um novo produto é prejudicial, os pesquisadores também precisam verificar se ele terá o efeito desejado, ou seja, se passará por todos os mecanismos e filtros que nossos corpos desenvolveram para se livrarem de substâncias possivelmente danosas.

E além da necessidade científica, existe ainda uma grande rede de normas internacionais que controlam os testes. "Precisamos estar em conformidade com os requisitos impostos pela AEE (Área Econômica Europeia), a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) e o FDA (Food and Drug Administration, agência responsável pela regulamentação nos EUA) para obter a aprovação de um novo medicamento", afirma o Dr. Klaus-Dieter Bremm, Head de Animal Management na Bayer. "Também existem outras exigências da legislação farmacêutica na Alemanha e diretrizes internacionais."

No entanto, novas categorias de tecnologias e processos estão reduzindo progressivamente a necessidade de testes em animais.

“Espero que um dia não seja mais preciso fazer testes em animais. Acredito que isso poderá acontecer mais rápido do que se espera, possivelmente em menos de 20 anos."

– Dr. Klaus-Dieter Bremm, Head de Animal Management na Bayer

A tecnologia que pode mudar o futuro

Os métodos de realizar testes se enquadram em três tipos: in vivo, in vitro e in silico, e todos estão em um processo de transformação.

  • In vivo: termo em latim que significa "em vida"; os testes in vivo envolvem experimentos de novos produtos ou processos dentro de organismos vivos. Isso inclui testes em animais e estudos clínicos em humanos. No entanto, com as novas tecnologias, a prática está se tornando menos invasiva.
  • Essa nova realidade permite até que os cientistas superem as tradicionais limitações dos experimentos in vivo. Por exemplo, avanços nas técnicas de captação de imagens neurológicas fornecem aos cientistas dados cada vez mais precisos sobre o cérebro. A microdosagem1 permite aos pesquisadores ver como pequenas quantidades de substâncias químicas se comportam no corpo sem expor seres humanos aos riscos associados aos estudos clínicos.

 

  • In vitro: termo em latim que significa "no vidro", in vitro refere-se aos testes realizados em ambiente controlado, fora de um organismo vivo, geralmente em tubos de ensaio e placas de Petri. Os testes in vitro são realizados há algum tempo, como na forma de culturas celulares, e novos desenvolvimentos têm aprimorado a viabilidade desses experimentos como uma alternativa aos testes em animais.
  • Por exemplo, a bioimpressão em 3D2 permite aos cientistas criar e estudar áreas isoladas de tecidos humanos, com toda a sua complexidade biológica, sem estarem anexados a um organismo vivo. Essa prática pode se estender a tecidos doentes: "Com a bioimpressão em 3D, podemos imprimir um tecido cancerígeno, por exemplo, da mesma forma em que ele se encontra no corpo humano. São as mesmas células, nas mesmas camadas. E isso pode ter um valor fundamental nas fases iniciais de uma pesquisa", afirma o Dr. Bremm. A bioimpressão também pode replicar conjuntos complexos de vários tipos de tecidos. "Algumas pessoas também estão tentando replicar o sistema imunológico, por exemplo, em um modelo tridimensional do fígado."

 

  • In silico: termo em latim para "em silício", os testes in silico não precisam de tecidos vivos. Esse tipo de experimento é conduzido em modelos de computador que permitem aos cientistas simular artificialmente estruturas e processos biológicos.
  • Por exemplo, a Virtual Liver Network3, uma aliança de 69 grupos de pesquisa e 200 cientistas que trabalham de forma colaborativa na Alemanha, empenhou-se durante os últimos cinco anos para criar um modelo em computador que mostra como o fígado metaboliza diversas substâncias. É possível criar modelos do fígado em diferentes estados, como alguém com danos tóxicos no fígado ou doença hepática gordurosa, duas condições que podem afetar a taxa de metabolismo de uma pessoa. Tecnologias como essa oferecem enormes vantagens em termos de economia de tempo. Em vez de testar medicamentos individualmente em animais, simulações como as que são realizadas pela VLN podem processar 100 mil compostos por hora.

Olhando além das barreiras

No entanto, esses métodos alternativos de teste ainda estão em estágio inicial e precisam ser mais bem desenvolvidos para que possam ser usados de forma rotineira.

"Apesar da importância do assunto, o número de pessoas trabalhando em métodos de teste alternativos ainda é pequeno. Mas os esforços que estamos realizando para explorar novas tecnologias e métodos que não usam estudos experimentais em animais demonstram nosso objetivo nessa área", afirma o Dr. Bremm.

Assim que as barreiras técnicas forem superadas, o próximo passo será convencer os legisladores sobre a confiabilidade desses testes como alternativa em termos de prever a eficiência e a segurança das substâncias. "Eu penso que, se conseguirmos avançar com os métodos alternativos, será muito importante conscientizar as autoridades, porque eles precisam apoiar esse conceito", comenta o Dr. Bremm. "Mas já percebemos que eles estão dispostos a adotar novos métodos e mudar o ambiente regulatório atual se conseguirmos mostrar dados convincentes."

Apesar dos desafios, cientistas como o Dr. Bremm preveem um futuro brilhante para essas tecnologias, incluindo o potencial de elas eliminarem de vez os testes em animais. "Espero que um dia não seja mais preciso fazer testes em animais. Acredito que isso poderá acontecer mais rápido do que se espera, possivelmente em menos de 20 anos."

L.BR.COM.10.2018.10763

Notas

  1. Indian Journal of Pharmacology, https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3025138/
  2. CERST, IUF – Leibniz Research Institute for Environmental Medicine, http://www.iuf-duesseldorf.com/cerst.html
  3. Virtual Tests for New Therapies, Bayer Research Magazine, https://www.research.bayer.com/en/virtual-medicine.aspx
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